Hortas Bio nas Eco-Escolas

Edição 2025/26

Escola EB 2,3/S João Garcia Bacelar (Cantanhede)

A Nossa Horta Bio

Horta pequena (até 50m²)

horta em janeiro

horta em março

horta em maio

saber mais sobre a nossa horta bio

desenho/croqui da horta

questionário

1. Há quanto tempo existe uma horta na escola?

Há cerca de 10 anos, embora tenho mudado de espaço há 5 anos.

2. Área aproximada da horta (m²):

Atualmente, cerca de 46 m2.

3. Quem trata da horta?

3.1. N.º de professores envolvidos:

7

3.2. Disciplinas que mais participam na dinâmica da horta:

FQ, BG, CN, Português, EV/ET, Mat., Ed. Esp.

3.3. N.º de alunos envolvidos:

80

3.4. N.º de funcionários da Escola envolvidos:

3

4. As famílias são envolvidas?

4.1. Como e com que frequência?

As famílias participam de forma pontual, colaborando com materiais, sementes, plantas e outros elementos necessários para a manutenção da horta, como, por exemplo, estacas para a sustentação das plantas (tomateiros e feijoeiros trepadores), matéria orgânica proveniente de animais domésticos, solos para análise, águas para o estudo do pH e recipientes reutilizáveis destinados aos ensaios de germinação em laboratório.
Houve encarregados de educação que enviaram água dos seus poços e amostras de solo para análise, areia da praia (dunas e mediolitoral para os estudos da influência da salinidade na germinação e crescimento das plantas), solicitando posteriormente feedback, de modo a poderem atuar de forma mais informada e consciente.
Quando visitam a Escola, as famílias são convidadas a percorrer os diferentes espaços escolares, incluindo a Horta.
Atualmente, este espaço afirma-se como um local de grande interesse e valorização, despertando a curiosidade das famílias e contribuindo significativamente para a valorização da Escola.

5. Apresentar exemplos do impacto da horta na comunidade e nos alunos:

Para além da colaboração nos trabalhos de preparação da terra, cultivo, colheita e venda dos produtos hortícolas, os alunos têm a oportunidade de participar em aulas dinamizadas na Horta Biológica. Este espaço é frequentemente utilizado para a abordagem de temas como a biodiversidade, a importância da água na agricultura os ciclos naturais, a sustentabilidade e outras temáticas consideradas pertinentes.
Na Horta, diversos conteúdos curriculares são lecionados de forma inovadora, com uma forte componente prática, difícil de concretizar numa sala de aula tradicional. Um exemplo disso ocorreu no 10.º ano do curso profissional de Eletromecânica, durante a preparação do novo espaço da horta, onde foram abordados conteúdos relacionados com a aplicação de forças, os diferentes tipos de forças e as Leis de Newton. Importa referir que o aproveitamento dos alunos neste módulo foi significativamente melhor.
A zona envolvente da Horta foi igualmente utilizada para a realização da atividade de lançamento de foguetões, proporcionando experiências práticas, motivadoras e promotoras da aprendizagem ativa. Neste espaço foram ainda gravados vídeos para o projeto Global Action Days, bem como um vídeo comemorativo da Semana da Terra, subordinado ao tema “Semear, colher e comer”.
No âmbito desta iniciativa, foi confecionada uma sopa utilizando exclusivamente produtos da horta, como alho-francês, cebola, batata, salsa, tomilho e alface. As atividades de germinação de sementes em diferentes tipos de solos despertaram grande entusiasmo nos alunos, muitos dos quais repetiram, em casa, algumas das experiências realizadas nas aulas, partilhando posteriormente fotografias e pequenos vídeos das suas atividades.
Foram ainda propostas atividades prático-laboratoriais relacionadas com as consociações de culturas agrícolas, a utilização da casca de banana como fertilizante e o uso de urtigas como fertilizante e inseticida natural. Organizados em grupo, os alunos realizaram pesquisas e produziram as respetivas soluções de urtigas e de casca de banana, com a colaboração dos professores de Físico-Química e de Biologia e Geologia. Posteriormente, os trabalhos foram apresentados a alunos de outras turmas.
A Horta constitui igualmente um espaço privilegiado para o desenvolvimento de atividades destinadas a uma criança com Necessidades Educativas Específicas (NEE), cujo currículo possui uma vertente mais funcional. Este espaço revela-se também particularmente motivador para outros alunos que demonstram um interesse genuíno pelas atividades agrícolas, encontrando nelas estímulo, dedicação e maior envolvimento nas suas aprendizagens curriculares.
Numa sociedade cada vez mais marcada pela tecnologia e pelos meios digitais, consideramos fundamental preservar a ligação à terra, às plantas e aos processos naturais. O ato de cultivar, cuidar e participar ativamente nas tarefas da horta proporciona momentos de alegria, satisfação e bem-estar, contribuindo de forma positiva para o desenvolvimento equilibrado das crianças e para uma relação mais harmoniosa com a natureza.
No âmbito das atividades desenvolvidas, os alunos criaram também um logotipo para a Horta Biológica. Na disciplina de Educação Visual, planificaram, construíram e decoraram embalagens tridimensionais em cartão e cartolina, destinadas à colocação dos produtos hortícolas produzidos. Na disciplina de Matemática, calcularam os volumes dessas embalagens, promovendo a articulação entre diferentes áreas do saber.
Tem-se verificado uma melhoria assinalável na curiosidade científica e nos resultados escolares dos alunos, especialmente nas disciplinas de Ciências Naturais, Físico-Química e Educação Visual. Consideramos, por isso, que estas práticas pedagógicas têm contribuído de forma significativa para o sucesso educativo.
De referir ainda que o nosso Agrupamento, AEGM, foi distinguido com o Selo Escola Saudável, na mais alta categoria, A, atribuído pela Direção-Geral da Educação. Este selo distingue e valoriza as boas práticas implementadas no âmbito da promoção da saúde em contexto escolar. Entre as áreas reconhecidas destacam-se a promoção da atividade física, a adoção de estilos de vida saudáveis, a alimentação equilibrada, a prevenção da violência, a educação para a saúde sexual e a sensibilização para as questões da saúde ambiental.
Este reconhecimento resulta do compromisso e dedicação de toda a comunidade escolar, que tem desenvolvido um trabalho articulado e contínuo, com o objetivo de proporcionar um ambiente educativo promotor do bem-estar físico, emocional e social dos alunos.

6. Como é organizada a manutenção da horta e a repartição de tarefas?

A manutenção da Horta é assegurada pelos docentes envolvidos no projeto, em articulação com os respetivos alunos, contando ainda, sempre que necessário, com o apoio de outros professores e assistentes operacionais. Existe a preocupação constante de proporcionar aos alunos a oportunidade de participarem nas diferentes tarefas, respeitando, sempre que possível, os seus interesses, disponibilidade e capacidades.
Pode afirmar-se que existe, na Escola, um núcleo de cerca de cinco docentes que, de forma mais regular, executam tarefas relacionadas com a Horta, enquanto outros elementos da comunidade escolar intervêm de forma mais esporádica. Os alunos colaboram nas sementeiras, plantações e colheitas, bem como na monda de ervas daninhas, na rega, na remoção de pedras e noutras tarefas necessárias à manutenção do espaço, sempre sob orientação e supervisão de um adulto.
Durante as interrupções letivas, a rega é assegurada pelos assistentes operacionais da escola e por alguns professores que residem nas redondezas, os quais, de forma voluntária, contribuem para a manutenção deste espaço exterior.
No início do ano letivo, procedeu-se à poda de algumas plantas e árvores que tinham crescido demasiado ou ultrapassado o espaço disponível. Para assinalar o Dia da Floresta, foram oferecidas, pelo Gabinete Florestal da Câmara Municipal de Cantanhede, algumas plantas autóctones, nomeadamente azevinhos e sobreiros, que vieram enriquecer a biodiversidade da Horta.
Atendendo às condições meteorológicas particularmente adversas verificadas este ano, optou-se, em alguns casos, por realizar sementeiras e plantações em recipientes mais pequenos, antes da sua transplantação para a Horta, de forma a evitar a destruição das plantas pelas intempéries. Para a rega, é utilizada água da chuva recolhida em recipientes doados pela empresa Stolt Sea Farm, da Praia da Tocha, parceira da escola em vários projetos.
Ao longo do ano, são também recolhidas sementes, permitindo que algumas plantas completem o seu ciclo de vida, à semelhança do que acontece na natureza. Esta prática contribui para sensibilizar os alunos para os ritmos naturais das plantas, para a importância da preservação das sementes e para uma gestão mais sustentável da Horta.
A Horta apresenta uma configuração retangular, com vários espaços delimitados. Um desses espaços foi construído este ano, juntando-se a outros já existentes, todos construídos com madeira reutilizada, nomeadamente paletes doadas pela Cooperativa Agrícola da Tocha e restos de madeira provenientes dos passadiços da Praia da Tocha. Foram ainda construídos, pelos alunos, passadiços que permitem a circulação em toda a extensão da Horta e facilitam as diferentes tarefas aí desenvolvidas. Além disso, foi colocada areia da praia em algumas zonas, com o objetivo de reduzir o crescimento de ervas daninhas.

7. Como é feita a preparação do solo?

O solo é preparado através de um conjunto de ações essenciais para o tornar mais fértil e produtivo. Entre essas ações destacam-se a mobilização da terra com enxadas, a eliminação manual de ervas daninhas, o arejamento do solo e a incorporação de composto produzido na nossa compostagem.
A fertilização é também reforçada com recurso a soluções naturais produzidas pelos alunos nas aulas de Físico-Química, nomeadamente fertilizante obtido a partir de cascas de banana, recolhidas no compostor da sala dos professores ou trazidas pelos próprios alunos. Sempre que necessário, é ainda colocada cinza de madeira, resultante da queima de lenha proveniente das podas, tendo em conta que o solo da Horta apresenta um pH próximo de 6,2, ou seja, uma acidez moderada.
Na gestão da Horta, procede-se também à rotação anual de culturas, prática que contribui para evitar o esgotamento do solo e para reduzir a incidência de pragas e doenças. Paralelamente, recorre-se à consociação de culturas, que consiste no cultivo de diferentes espécies de plantas próximas umas das outras, promovendo interações benéficas, otimizando o uso do solo, aumentando a produtividade e melhorando a saúde das plantas.

8. É feita compostagem?

8.1. Se sim, como e com que materiais?

A compostagem é realizada numa estrutura de madeira, de forma paralelepipédica, construída pelos alunos na escola com recurso a madeira reutilizada. Nesta estrutura são depositados resíduos orgânicos de origem vegetal, como cascas de fruta e de batata, vegetais impróprios para consumo, ervas daninhas não invasoras e restos de culturas da Horta, nomeadamente ervilheiras, favas, partes aéreas das cebolas e folhas dos morangueiros.
Estes resíduos resultam da limpeza do terreno, da cozinha da escola e dos restos dos lanches e almoços trazidos por professores, alunos, assistentes operacionais e outros elementos da comunidade escolar. São ainda utilizadas borras de café provenientes da máquina de café da escola e cascas de ovos, contribuindo para enriquecer o composto produzido.

9. Quais as culturas / consociações instaladas?

Após o estudo e a pesquisa realizados pelos alunos sobre as plantas que poderiam ser associadas, foram implementadas diversas consociações de culturas na Horta. Estas associações combinaram espécies hortícolas com diferentes ritmos de crescimento, de forma a otimizar a utilização do terreno e a promover um melhor aproveitamento do espaço disponível.
Algumas destas consociações foram igualmente planeadas com o objetivo de proteger as culturas, recorrendo a plantas com capacidade repelente de pragas ou atrativas de insetos auxiliares, favorecendo, assim, o equilíbrio natural do ecossistema da Horta.
Este ano, devido às condições meteorológicas particularmente adversas, houve uma preocupação acrescida em definir cuidadosamente o que plantar e o momento mais adequado para o fazer, privilegiando espécies e variedades mais resistentes e melhor adaptadas às condições locais. Sempre que possível, privilegiam-se variedades regionais, naturalmente mais tolerantes a pragas e doenças, algumas das quais foram previamente estudadas em contexto laboratorial.
Entre as associações de culturas implementadas na Horta, destacam-se:
• alface, alho-francês e alho;
• milho, abóbora e feijão;
• tomateiro e manjericão;
• batata, em rotação com outras culturas;
• salsa, tomilho e girassol;
• couve e cebola;
• alface, morangueiro, coentro e salsa;
• fava, ervilha, salsa e cravo-túnico.
Nos canteiros, encontram-se ainda cultivadas várias ervas aromáticas, como alecrim, orégãos, salsa, hortelã e erva-cidreira, bem como diferentes espécies florais, entre as quais o cravo-túnico e o girassol.
Em pequenos vasos/garrafões/canos reutilizados também temos canônigos, morangueiros e ervas aromáticas.

9.1. Quantidade (kg) aproximada de produtos produzidos:

Este ano, a instabilidade climática, marcada por um verdadeiro “comboio de tempestades”, com a passagem sucessiva de depressões como Kristin, Leonardo, Marta, Francis, Goretti, Ingrid e Joseph, trouxe chuvas intensas e ventos fortes, afetando de forma significativa a nossa Horta e condicionando a produção agrícola. Apesar destas dificuldades, foram já colhidas alfaces, batatas, alho-francês, cebolas, favas, couve, morangos e ervas aromáticas, como tomilho, segurelha e salsa, num total aproximado de 6 kg. Com a melhoria das condições climatéricas, a produção começa agora a desenvolver-se de forma mais visível, encontrando-se em crescimento culturas como batata, favas, ervilhas, alfaces, courgetes, beringelas, abóboras, alho-francês, alho, beterraba, tomate e várias ervas aromáticas.
Relativamente ao feijão, às abóboras-meninas e ao milho, prevê-se ainda uma boa colheita, se as condições meteorológicas continuarem favoráveis.

9.2. Qual o destino dado aos produtos da horta?

Os produtos hortícolas são vendidos na escola, em pequenos mercados biológicos, sendo adquiridos por alunos, professores e assistentes operacionais. Sempre que não são vendidos, são doados à cantina escolar, gerida pela própria escola, garantindo-se, assim, o seu aproveitamento.

11. É feita recolha da água da chuva?

11.1. Como é feita a gestão da rega?

A água da chuva é recolhida e armazenada num depósito com capacidade para 500 litros, sendo posteriormente utilizada na rega da Horta, promovendo uma gestão mais sustentável dos recursos hídricos.
Nos períodos em que a precipitação é reduzida ou inexistente durante vários dias consecutivos, recorre-se, quando necessário, à rega manual com mangueira, de forma a assegurar as necessidades das culturas instaladas.
A rega não é realizada diariamente em todas as culturas, uma vez que a sua frequência varia consoante as necessidades específicas de cada espécie, tendo em consideração fatores como o tipo de planta, as condições climatéricas e o estado de desenvolvimento das culturas.

12. Monitorização de pragas e doenças:

12.1. É feita monitorização de pragas e doenças? Como e com que frequência?

Sim. É realizada uma monitorização regular das culturas, através da observação do seu estado geral, com especial atenção ao aparecimento de manchas, pulgões, escaravelho-da-batateira, mordeduras ou outros sinais de pragas e doenças.
Na Horta, são implementadas diversas estratégias de prevenção e controlo natural, privilegiando práticas sustentáveis e promotoras da biodiversidade. Entre essas medidas, destacam-se a diversificação das culturas e a realização de rotações culturais, contribuindo para o equilíbrio do solo e para a redução da propagação de pragas.
Foram colocadas flores coloridas, que ajudam a atrair polinizadores e outros auxiliares naturais. Paralelamente, procura-se manter o espaço limpo de ervas daninhas e resíduos, garantindo melhores condições de sanidade vegetal.
São ainda respeitados espaçamentos adequados entre culturas e realizado um controlo cuidado da rega, de forma a evitar condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos. Como medida preventiva adicional, recorre-se à plantação intercalar de plantas aromáticas, que contribuem para a proteção natural das culturas.
Semanalmente, os alunos realizam a inspeção das culturas, identificando possíveis pragas ou doenças e participando ativamente na manutenção e preservação da Horta.

12.2. Houve ataques de pragas e/ou doenças?

12.3. Se sim, quais e como foram combatidas?

Caso surjam pragas, como piolho ou pulgão, os alunos poderão preparar e aplicar, sob supervisão, soluções naturais de controlo, nomeadamente uma solução de sabão azul e um preparado de urtigas. Este preparado consiste numa infusão de 0,50 kg de urtigas em 5,0 L de água, durante cerca de 10 dias ou mais, sendo posteriormente utilizado como bioinseticida.

13. Existem animais de criação ligados à horta?

13.1. Se sim, que espécies?

14. Assinale outras atividades que se realizam em torno da horta:

Feira na escola
Feira na comunidade
Confecção de sopas e outros pratos
Concursos
Aulas na horta
Outra

Outra, qual?

14.1. Das que assinalou, descreva até três que considera mais significativas, referindo para cada uma o número de vezes que se realizou durante o ano, número de pessoas envolvidas, tipo de participação dos alunos, impacto na comunidade e outros aspetos relevantes:

Atividade 1:

Descrição:

No início do ano letivo, no âmbito dos Domínios de Autonomia Curricular (DAC), foram auscultados os alunos dos 5.º e 8.º anos sobre as temáticas que gostariam de trabalhar. Na sequência desta auscultação, foi definido o tema “Solos da Gândara: da terra ao prato”, articulando as disciplinas de Físico-Química, Ciências Naturais, Português, Educação Visual/Educação Tecnológica e Matemática.
Em Educação Visual/Educação Tecnológica, os alunos planificaram, construíram e decoraram embalagens tridimensionais em cartão e cartolina, destinadas aos produtos hortícolas da Horta. Em Matemática, calcularam os volumes dessas embalagens, aplicando conteúdos da disciplina a uma situação prática.
Na disciplina de Físico-Química, foi realizado um estudo experimental sobre a germinação e o crescimento das plantas em função do pH da água e do solo. Foram utilizadas diferentes soluções de rega, com valores de pH entre 4 e 8, e observadas espécies como milho, lentilhas, alho-francês e morangueiro. Os alunos avaliaram parâmetros como a altura das plantas, o número de folhas, a massa fresca e a massa seca, compreendendo a influência da acidez e da alcalinidade no desenvolvimento vegetal.
Do ponto de vista químico, a concentração de iões hidrónio — H₃O⁺ — e de iões hidróxido — OH⁻ — presentes nas soluções influencia a solubilidade e a biodisponibilidade de nutrientes essenciais, como o azoto, o fósforo, o potássio, o magnésio e o ferro. Valores de pH demasiado ácidos ou demasiado alcalinos podem provocar défices nutricionais, alterações metabólicas e diminuição da atividade fisiológica das plantas.
Na sequência deste estudo, foi selecionado um solo com pH aproximado de 6,2 e boa capacidade de retenção de água, considerado adequado para a instalação das culturas.
Numa extensão da atividade experimental, procedeu-se também à análise do comportamento das culturas em solo característico da Gândara, geralmente arenoso, ácido e pobre em matéria orgânica. Este tipo de solo apresenta baixa capacidade de retenção de água e reduzida capacidade de troca iónica, fatores que condicionam a disponibilidade de nutrientes e o desenvolvimento vegetal.
Através desta abordagem experimental, os alunos puderam relacionar conceitos de Físico-Química e Ciências Naturais, compreendendo a importância do equilíbrio químico do meio para o crescimento saudável das plantas e para a sustentabilidade agrícola.
Após estes estudos, procedeu-se à preparação da Horta, com a delimitação dos espaços de cultivo e a preparação do solo, recorrendo, entre outros materiais, a solo doado por um Encarregado de Educação e previamente estudado em contexto laboratorial. Seguidamente, realizaram-se as sementeiras em espaços devidamente definidos para cada cultura, acompanhando-se e controlando-se o respetivo crescimento ao longo do tempo.
Na disciplina de Português, os alunos realizaram atividades de pesquisa, leitura e seleção de informação sobre os produtos cultivados na Horta, a agricultura local e a sua utilização na alimentação. Pesquisaram também receitas tradicionais ou saudáveis que integrassem produtos hortícolas, trabalhando a estrutura do texto instrucional, nomeadamente os ingredientes, os procedimentos e a clareza das instruções.
A disciplina contribuiu ainda para a revisão e correção linguística dos protocolos das experiências realizadas em Físico-Química e Ciências Naturais, com especial atenção à organização da informação, à clareza das instruções, ao uso adequado do vocabulário científico e à correção ortográfica e sintática.
Foram também produzidos textos informativos, descrições dos produtos cultivados, legendas para fotografias e pequenos textos de divulgação das atividades realizadas. Desta forma, Português contribuiu para o desenvolvimento das competências de leitura, escrita, oralidade e comunicação, articulando os conteúdos curriculares com situações concretas e significativas do projeto.

Fotografias:

Atividade 2:

Descrição:

A nossa escola localiza-se junto à Praia da Tocha, na costa centro de Portugal, numa comunidade fortemente ligada à pesca, à agricultura e à pecuária. Nos últimos anos, tem-se verificado uma crescente preocupação com a salinização dos solos agrícolas e com a diminuição da disponibilidade de água doce, fatores que podem comprometer a produtividade agrícola e afetar diretamente a subsistência de muitas famílias.
Este contexto local reflete um problema global: a crescente escassez de água potável, agravada pelas alterações climáticas, pela desertificação e pela pressão crescente sobre os recursos hídricos. Em Portugal, esta realidade já se manifesta de forma particularmente preocupante em algumas regiões, como o Algarve.
O projeto Dessalinizador Solar Sustentável surge, assim, como uma resposta educativa e prática a esta realidade, promovendo o desenvolvimento de soluções sustentáveis baseadas na energia solar, uma fonte limpa, abundante e renovável.
Numa primeira fase, os alunos realizaram uma pesquisa orientada sobre dessalinização, energias renováveis, escassez hídrica e impacto ambiental. Esta abordagem interdisciplinar envolveu as áreas de Ciências Naturais, Físico-Química e Educação Ambiental, permitindo relacionar conhecimentos científicos com problemas reais da comunidade local e global.
Posteriormente, os alunos construíram os seus próprios protótipos de dessalinizadores solares, utilizando materiais reciclados e de baixo custo. Entre os materiais utilizados destacam-se dois garrafões de plástico reciclados, com capacidade de 5 litros, um recipiente para simular o oceano, com água salgada, outro espaço destinado à evaporação e posterior condensação do vapor, superfícies refletoras, como folha de alumínio, para maximizar a captação da radiação solar, e um sistema de recolha da água condensada. Ao longo do processo, foram incentivadas melhorias estruturais, a criatividade e a inovação no design dos protótipos.
O funcionamento do dessalinizador baseia-se no aquecimento da água salgada pela radiação solar, promovendo a sua evaporação. O vapor de água condensa numa superfície mais fria e é posteriormente recolhido sob a forma de água dessalinizada, livre de sais.
Do ponto de vista educativo, o projeto permitiu consolidar conhecimentos científicos aplicados, desenvolver competências STEM, aumentar a literacia ambiental e energética e promover a formação de jovens mais conscientes, responsáveis e preparados para intervir perante os desafios ambientais atuais.
A nível comunitário, contribuiu para sensibilizar a comunidade educativa para a problemática da escassez de água e para a importância da utilização responsável dos recursos hídricos. Foram ainda partilhados guias práticos de construção com outras escolas, promovendo a replicação da iniciativa e o envolvimento de diferentes comunidades educativas.
O projeto apresenta também potencial para ser divulgado em feiras de ciência, eventos educativos e meios de comunicação, reforçando a importância da ciência escolar enquanto instrumento de inovação, participação cívica e transformação social.
O Dessalinizador Solar Sustentável é, por isso, mais do que um projeto escolar: é uma resposta educativa a um desafio ambiental urgente. Ao integrar ciência, inovação e responsabilidade social, transforma a aprendizagem em ação concreta.
Este projeto demonstra que os alunos, quando devidamente orientados e motivados, podem desenvolver soluções criativas e sustentáveis para problemas globais, contribuindo para um futuro mais resiliente, justo e ambientalmente responsável.
A sua relevância foi reconhecida com a seleção para representar Portugal no Fórum Regional da UNECE sobre Desenvolvimento Sustentável 2026, demonstrando o seu impacto nacional e internacional. O projeto recebeu ainda cobertura mediática, nomeadamente através de uma reportagem de duas páginas no Diário de Coimbra, que destacou a sua relevância científica, o envolvimento dos alunos e o seu contributo para a educação em sustentabilidade.
https://www.diariocoimbra.pt/2026/01/28/rotor-de-aluminio-que-gira-com-luz-solar-da-lugar-a-artigo-cientifico/
https://www.facebook.com/photo/?fbid=1528070745991039&set=a.512818134182977&locale=pt_PT

Fotografias:

Atividade 3:

Descrição:

As cascas de banana são frequentemente descartadas como resíduo orgânico. No entanto, diversos estudos e pesquisas indicam que este material pode ter interesse agrícola, funcionando como base para a produção de um biofertilizante capaz de contribuir para o crescimento das plantas e para a melhoria da qualidade do solo.
Neste contexto, foi proposto aos alunos o estudo desta temática, através da pesquisa de informação e da realização de atividades prático-laboratoriais. Os resultados analisados apontam para efeitos positivos associados à utilização de fertilizantes derivados de cascas de banana, nomeadamente ao nível da germinação, do crescimento das plantas e do desenvolvimento das folhas, quando comparados com solos não tratados. Assim, para além de contribuir para a redução do desperdício, o reaproveitamento deste resíduo surge como uma alternativa sustentável, permitindo diminuir a dependência de produtos de síntese com maior impacto ambiental.
Na sequência deste trabalho, os alunos recolheram cascas de banana e, seguindo um protocolo laboratorial, produziram um biofertilizante natural, posteriormente utilizado na Horta.
Foi também desenvolvido um estudo sobre as urtigas, plantas bastante presentes nos solos da Gândara e em zonas próximas de campos cultivados, caminhos e áreas habitadas. Em Portugal, entre as espécies mais comuns, destacam-se a urtiga-comum (Urtica dioica) e a urtiga-menor (Urtica urens). A urtiga-menor é geralmente mais pequena, mas bastante urticante, enquanto a urtiga-comum pode atingir mais de um metro de altura e apresenta folhas verdes, serradas e, por vezes, de tonalidade verde-acinzentada.
O contacto frequente dos alunos com estas plantas despertou a curiosidade para o seu estudo e para a possibilidade de produção de um bioinseticida natural. As urtigas são ricas em minerais como azoto, potássio, ferro, magnésio, cálcio e silício, nutrientes importantes para o crescimento das plantas. Além disso, contêm compostos que podem contribuir para repelir algumas pragas e fortalecer a resistência das culturas.
Com base nesta informação, os alunos produziram um extrato líquido fermentado a partir das folhas de urtiga. Esta solução é tradicionalmente reconhecida como um preparado natural com potencial utilização na agricultura biológica. Devido à sua composição mineral, pode funcionar como biofertilizante líquido, estimulando o crescimento das plantas. O elevado teor de azoto favorece o desenvolvimento das folhas, enquanto o potássio contribui para a formação de flores e frutos. A urtiga pode ainda ser utilizada como ativador natural do composto, devido à sua riqueza em matéria orgânica e nutrientes.
No âmbito deste projeto, o preparado de urtigas foi produzido sobretudo com a finalidade de funcionar como bioinseticida e repelente natural, nomeadamente contra ácaros e pulgões, podendo ser aplicado, de forma controlada e supervisionada, sempre que se verifique a presença destas pragas nas culturas.
Importa ainda salientar que os alunos apresentaram as suas pesquisas, procedimentos e resultados a outras turmas, sensibilizando os colegas para a importância da agricultura biológica, da valorização dos resíduos orgânicos e da adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis.

Fotografias:

15. Outros aspetos de realce da horta:

O Planeta Terra enfrenta desafios como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação dos solos. A agricultura biológica surge como uma solução sustentável, baseada no respeito pelos ciclos naturais e na redução de químicos.
Trabalhar este tema nas escolas é essencial para sensibilizar os alunos para a proteção do ambiente e para a importância de uma alimentação saudável. Através de hortas escolares, os estudantes aprendem, na prática, desenvolvendo responsabilidade e ligação à natureza.
Assim para celebrar a semana da Terra foi feito um vídeo de sensibilização para a agricultura Biológica e alimentação saudável, disponível em https://www.facebook.com/share/v/1B2Liqu13g/
Na nossa horta pesquisamos, estudamos, preparamos o solo, semeamos, plantamos, cuidamos, colhemos e comemos.

15.1. Link para a página da horta:

https://padlet.com/anamelo63/horta-biologica-aegm-1y2t2vdj2lokvweg