Caminhos Coloridos
Edição 2025/26
Escola EB S. Faustino (Guimarães)
Desafio: Caminhos Coloridos
Conjunto de fotografias (mínimo 3, máximo 6) que documentem o processo de criação dos caminhos coloridos:
Reflexão dos alunos sobre o impacto da arte na valorização da horta:
"Nós aprendemos que a horta não serve só para nos dar comida, e que o jardim não é apenas um sítio com relva. Quando começámos a desenhar e a pintar as plantas, a nossa forma de olhar para elas mudou por completo.
Antes, nós só víamos 'folhas verdes'. Mas, para as desenhar nas aulas de Expressão Plástica, tivemos de olhar muito mais de perto. Descobrimos que a alface tem ondas, que as folhas do tomateiro têm texturas rugosas e que há muitos tons de verde diferentes no mesmo canteiro. A arte ensinou-nos a ter paciência para observar os pormenores, como os caminhos que as lagartas fazem ou as cores brilhantes das joaninhas.
Também adorámos pintar as pedras. O jardim e a horta ficaram muito mais bonitos e alegres. Parece que, quando pomos arte na terra, as pessoas têm mais cuidado e respeito pelo espaço. Toda a gente para para olhar e elogiar o nosso trabalho.
Criar arte no jardim ajudou-nos a perceber que a natureza também é uma artista e que nós fazemos parte dela. Agora, cuidar da horta é muito mais divertido porque sentimos que estamos a cuidar de uma obra de arte que cresce todos os dias."
Memória descritiva:
MEMÓRIA DESCRITIVA DO PROJETO: HORTA E JARDIM ESCOLAR
1. Descrição das Técnicas e Materiais Utilizados
O projeto baseou-se em princípios de agricultura biológica, sustentabilidade e expressão artística. Foram aplicadas as seguintes técnicas e materiais:
• Preparação e Organização do Solo: Montagem e delimitação de dois canteiros principais: um quadrado de 2×2 metros (organizado do Norte para o Sul por patamares de altura) e um canteiro estreito de 5 metros por 60 centímetros (otimizado com uma linha de fundo vertical e uma bordadura frontal).
• Técnicas de Cultivo e Suporte: Instalação de redes de tutoragem e estacas de cana para a verticalização de tomateiros, pepinos e feijão verde. Consociação de culturas benéficas (ex: feijão verde para fixação de nitrogénio junto aos tomates; alface sob a sombra parcial de plantas médias).
• Monitorização Biológica de Pragas: Utilização de métodos não tóxicos, incluindo placas cromáticas (amarelas e azuis) para monitorizar insetos voadores, armadilhas de cerveja para controlo de lesmas e aplicação preventiva de spray caseiro de sabão neutro e infusão de alho.
• Jardinagem Ecológica e Biodiversidade: Plantação de flores companheiras (tagetes, calêndulas e capuchinhas) para o controlo natural de pragas, atração de polinizadores e enriquecimento visual do espaço.
• Expressão Artística: Pintura manual de placas de identificação de madeira, reaproveitamento de materiais reciclados para a construção de espantalhos e desenvolvimento de sessões de desenho/pintura de observação direta da morfologia das plantas (texturas, formas e tonalidades).
2. Número e Idade/Escolaridade dos Alunos Envolvidos
O projeto abrangeu um total de 66 alunos do pré-escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico (com idades compreendidas entre os 3 e os 10 anos), distribuídos por várias turmas que acompanharam a horta de forma rotativa ao longo do ano letivo.
3. Disciplinas Envolvidas
A horta e o jardim funcionaram como um laboratório vivo interdisciplinar:
• Estudo do Meio: Aprendizagem sobre o ciclo de vida das plantas, ecossistemas, monitorização biológica, biodiversidade e alimentação saudável.
• Matemática: Medição e cálculo de áreas e perímetros dos canteiros (2x2m e 5x0,6m), compassos de plantação, contagem de sementes e gestão de trocos/preços nas feiras.
• Expressões Artísticas (Plástica): Desenho de observação da horta, pintura de suportes texturados, sinalética decorativa e exploração da teoria das cores através da flora do jardim.
• Português: Escrita criativa, registo em diários de bordo da horta e elaboração de reflexões partilhadas sobre a importância do espaço.
4. Forma como foi Envolvida a Comunitária Escolar
O sucesso do projeto dependeu da abertura da horta para lá dos muros da sala de aula:
• Comunidade Escolar Interna: Articulação direta com os Assistentes Operacionais, que atuaram como mentores práticos dos alunos, e com a equipa da cantina escolar, que colaborou ativamente na confeção das sopas utilizando os legumes colhidos pelos alunos.
• Famílias e Encarregados de Educação: Participação em momentos-chave, como o fornecimento de sementes/plantas, e forte envolvimento na "Feira na Escola", onde pais e avós adquiriram os cabazes de excedentes biológicos produzidos pelas crianças.
• Aprendizagem Intergeracional: Abertura do espaço a idosos e familiares da comunidade local para a partilha de técnicas tradicionais de cultivo, fortalecendo os laços sociais com a escola.








